No meio da pandemia, um exemplo de fé e solidariedade que nos enche de esperança

O médico que, com o terço em mãos, reza pelos pacientes

“Ele, como muitos médicos, aguenta turnos intermináveis e uma pressão emocional muito forte que muitos de nós não seríamos capazes de resistir. Mesmo assim, em momentos curtos de descanso, tira seu rosário e se entrega à oração. Embora diferimos na maneira de adorar e orar, alguém dúvida que Deus ouve esta oração?”

Foi com essa legenda que o pastor evangélico Luis Alberto Gallego publicou nas redes sociais uma foto do doutor Ramírez. A publicação foi compartilhada e comentada por milhares de pessoas.

 “Não tenho dúvida: Deus ouve nossas orações, o que ele mais gosta é curar os enfermos e eu sou testemunho da sua presença diariamente. Ele age através das minha mãos, peço que Ele utilize meu ministério de cura, ainda mais agora que atravessamos uma situação tão difícil”, disse Ramírez à Aleteia. Ramírez é um entre tantos profissionais que lutam para salvar vidas em um país em que a crise do sistema de saúde se agravou muito com a Covid-19.

A situação não é nada fácil porque os recursos hospitalares no país se mostram insuficientes e a pobreza obriga muitos de seus habitantes a sair de casa para conseguir o sustento da família, negligenciando, muitas vezes, as medidas de prevenção.

Médicos, enfermeiros e todos os profissionais da saúde são um grupo muito vulnerável, não só por causa dos riscos de contágio, mas também por causa das condições precárias de trabalho e pela incompreensão dos cidadãos que, frequentemente, chegam ao extremo de ameaçá-los de morte e agredi-los.

Consciente da situação, o Dr. Ramírez sai para trabalhar todos os dias na Cínica Madre Bernarda – da comunidade das Irmãs Franciscanas – com a tranquilidade de estar protegido pelas melhores armas: a oração, a Eucaristia, o Rosário, o Sangue de Cristo e os Sacramentais. Seus dias transcorrem entre tensões, lutas pela vida, pacientes recuperados e a oração permanente.

“Há alguns dias, tive que realizar uma traqueostomia em um paciente com Covid. Foi a segunda vez que senti um grande temor nesta pandemia, mas também uma enorme esperança. Depois de entrar por um labirinto, ser vestido por duas pessoas, colocar dois macacões, máscaras e luvas, fizemos o procedimento – um dos que têm mais riscos de contágio para a equipe médica. Se as pessoas tivessem a oportunidade de ver esses quadros, não saíram às ruas, não acelerariam a reabertura dos setores econômicos e teriam mais cuidado”, desabafou o médico.

Cada intervalo no turno de 24 horas e todo tempo de descanso entre as cirurgias são oportunidades de oração para o Dr. Ramírez. “Muitos pacientes, apesar da anestesia geral, têm manifestado que sentiram algo espiritual, uma sensação difícil de descrever. Quando eu os vejo vulneráveis, rezo por eles e eles sentem. É Deus agindo através das minhas mãos”, explica. 

Ele já foi testemunho de vários milagre em suas salas de cirurgia, como por exemplo, o caso de um bebê de quatro meses com malformação congênita no crânio. “É uma cirurgia pouco comum, em que os especialistas abrem o crânio e o paciente sangra muito. As únicas coisas que pude fazer antes da operação foram revisar um artigo sobre esse tipo de cirurgia e ir até o Santíssimo pedir que Deus tomasse o controle. O menino não sangrou, acordou e me deu um sorriso angelical. Naquela hora, soube mais uma vez que Deus tinha passado por aquele lugar”. 

O Rosário, companheiro fiel

A vida de Néstor Ramírez se divide em duas: antes e depois de conhecer Cristo. Seu caminhar espiritual há 18 anos lhe permite evangelizar enquanto aplica a ciência. Não tem sido fácil. A princípio, ele enfrentou piadas. Mas, pouco a pouco, seus companheiro de trabalho perceberam que ele é um homem de fé.

“Depois de uma crise familiar e uma vida mundana, tive a oportunidade de ver Deus, cara a cara comigo em um dia de solidão. Comecei a participar de grupos de oração, voltei à Eucaristia, comecei a estudar a vida da Vigem Maria e fui pegando amor no Rosário, companheiro fiel em minha vida profissional, o qual rezo várias vezes todos os dias”, assegura o médico.

“Apesar das dificuldades para exercer minha profissão, seguirei ajudando tantos enfermos que imploram misericórdia, porque eu trabalho para Deus, não para os homens”, conclui o Dr. Ramírez.

Aleteia

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