Alguns critérios nos ajudam a discernir se estamos preparados para dar um passo para o casamento

Casamento: estou preparado para dar esse passo?

Antes do meu casamento, perguntava-me: existe hora certa para se casar?

Uma decisão como essa trata-se de algo sem volta, algo para sempre, que muda sua história e o lança em uma dimensão de eternidade. Não pode ser, então, uma escolha indecisa; é necessário um profundo discernimento e se faz urgente uma parada para se pensar: é a hora?

Mas quais critérios devem ser utilizados para se firmar em tal postura? Quais os parâmetros para se decidir para sempre? É possível fazer esse compromisso definitivo?

Antes de dar sequência a esse assunto, vejo que, primeiro, precisamos entender os níveis pelos quais o amor humano passa até ser, de fato, um amor cristão de esposo para esposa. Sem isso, não se tem critérios para dizer “é a hora”! Para não ficar um texto longo, deixo aqui o link de uma pregação que fiz, na qual falo dos quatro níveis do amor segundo São João Paulo II:


Continuando …

Muito bom se você leu! Agora, se não leu, ficará um pouco difícil entender os três critérios básicos para ver se é a hora de se casar. Só um amor que atingiu os quatro níveis será capaz de abranger as necessidades de um matrimônio autêntico.

Não sou um especialista no assunto, mas a partir das leituras que fiz, da formação à qual me sujeitei a viver e baseando na Doutrina Católica, digo: a hora certa para se casar é quando se tem a disposição para morrer, quando se possui um amor desinteressado e tem-se a capacidade de dar a vida.

Você deve estar se perguntando: “disposição para morrer”? Como assim? Se quero me casar é para ser uma questão de vida, não de morte! Primeiro e grande erro.

Primeiro critério é casar é ter disposição de morrer

Morrer para uma vida de solteiro, morrer para uma vida de egoísmo, para uma visão só; mas também é abrir-se para uma visão do mundo a dois. Quem se casa sem a disposição para morrer pode, no casamento, tornar-se “assassino” do outro. Assim, em vez de morrer, pode assumir a postura de matar os sonhos e projetos, as esperanças e os desejos do outro.

Segundo critério é ter um amor desinteressado

Quando falo isso, não quero dizer ter uma postura passiva, mas ter um amor que não busca seu próprio interesse. É preciso estar atento ao interesse do outro, o que o outro pensa, vive e sente. Sem um amor desinteressado não consigo ver o outro como sujeito, mas como objeto de satisfação de meus interesses.

O terceiro (para mim um dos centrais) é a capacidade de dar a vida

Nesse caso, é necessário pensar essa vida concreta, pensar a abertura aos filhos, o projeto de fecundidade física, mas além de tudo, uma vida que dá a vida todos os dias, que busca o nascimento constante do homem novo. Se, no primeiro critério, a questão é a morte do homem velho, aqui, neste terceiro critério, é questão de vida, nascimento do homem novo! Quem, ao se casar, não tem vontade de ser pai e mãe, não entendeu o sentido do casamento. Logo, não é hora ainda de comprometer-se para sempre. O mundo carece e padece, pois faltam pais e mães de verdade.

Muitos podem ter parado para ler esse texto pensando que eu falaria em tempo cronológico. Mas, eu o chamei para uma reflexão além do tempo de segundos e minutos; na verdade, um pensamento sobre o essencial. Com isso, você pode usar os resultados de tais reflexões no concreto da vida e até nas demandas de um noivado. Por exemplo: quando o casal chega ao noivado, há um tanto de coisas que precisam ser vistas: móveis, casa, lugar para a  lua de mel etc.; tudo isso é lindo, mas pode se tornar um inferno se o casal não tiver disposição, às vezes, de morrer na sua vontade sobre a cor de cozinha preta e branca, e deixar a cozinha ser azul e branco para a esposa viver.

Se não vivo um amor desinteressado por ela, será difícil entender que o vestido de noiva diz algo essencial de seus sonhos, e que preciso acolher as lágrimas quando ela pensar nele. Se não estou aberto à vida, posso culpá-la por já engravidar na lua de mel e não ter seguido à risca o método natural.

Percebe que mais do que a hora de relógio, há uma hora do coração que precisa ser vista?

Abra-se, acima de tudo, a Cristo, pois só com Ele aprenderemos a ser esposo, e assim, ter a disposição de dar a vida sempre! Ele é o modelo do noivo que dá a vida pela noiva. Ele se entregou pela Sua noiva, a Igreja, e Sua entrega foi para sempre, foi definitiva!

“Tamu junto!”.

Adriano Gonçalves

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