É com ela, com ele, que eu poderia construir um casamento feliz e sólido? E construir uma família? Essa pergunta geralmente paralisa os apaixonados e

Como saber se é a pessoa certa antes de tomar a decisão de se casar?


Como você pode ter certeza de que ele ou ela é a pessoa certa?

Alguns têm uma ideia bizarra da vontade de Deus e da Providência: se passaram pela pessoa certa sem perceber, por um motivo ou outro, perderam a sua grande chance! A pessoa certa é aquela que escolhemos gostar. E Deus promete nos acompanhar em nossa escolha.

Quais são os critérios para uma boa escolha?

O fato é que os frutos do bom discernimento no Espírito Santo são paz e alegria, como as Escrituras nos dizem. Esse amor deve irradiar! Um critério final: o desejo de compartilhar, trocar, criar intimidade. Numa relação afetiva forte, surge esse desejo que o outro vá se revelando pouco a pouco, sem medo do olhar daquele que está ao seu lado.

É preciso ser adulto para saber amar?

A solidão é necessária para habitar-se a si mesmo e não agir de acordo com, ou em resposta aos desejos dos outros. Podemos nos perguntar: qual é o meu próprio desejo? Sou dependente do olhar dos outros para viver? O amor é uma oportunidade de amadurecer, de tornar a si mesmo um mundo a descobrir para aquele(a) a quem amamos

Quando dizemos: “O homem deixará seu pai e sua mãe”, isso não significa apenas não viver sob o mesmo teto, mas olhar para o futuro. A dependência da família impede isso. É necessário cortar esses vínculos que nos mantêm na infância, deixar para traz a ideia de pais ideais que não tivemos e aceitar sua família como ela é, com suas qualidades e defeitos, a uma distância justa.

Qual é o equilíbrio certo para um relacionamento amoroso?

Um dia, conheci um casal de jovens noivos. A garota, muito independente, sentiu-se sufocada pelo amor “fusional” de seu noivo. Ele estava solicitando demais a sua presença. Pensamos juntos sobre a qual seria a distância correta e, depois de um retiro, eles conseguiram se ajustar e agora estão casados.

Todos nós somos habitados por esse duplo movimento – o desejo de autonomia e o desejo de fusão – mas eles coexistem em intensidades variadas. Muitos bloqueios podem surgir se não calibrarmos bem as distâncias.

Alguns esperam tudo do outro e demandam muita atenção. São passíveis de entrar em pânico com a briga mais boba, de ficar desapontados com a ideia de seus gostos serem muito divergentes ou de não conseguirem fazer tudo juntos.

Outros, pelo contrário, têm medo do desconhecido, medo de serem invadidos e fogem buscando se esconder.

Nenhuma das atitudes está certa. O importante é entrar em uma interdependência onde o desejo de amar e ser amado é respeitado, onde cada um pode se tornar cada vez mais ele mesmo sem ameaçar o outro.

Cada um sabe quem é, conhece suas necessidades, não coloca peso no outro e aceita o outro além das decepções e diferenças.

Para que um relacionamento seja justo, todos devem ter momentos de solidão (esse é o oxigênio do relacionamento), para depois retornar ao amado.

Atenção, não se trata aqui de procurar, acima de tudo, seu desenvolvimento pessoal. Nesse caso, o relacionamento não irá muito longe.

Como chegar à decisão do casamento?

Depois de identificar bloqueios, feridas do passado, medos, chega um momento em que é necessário edificar, pois o casamento é como uma construção. Quando descascamos tudo, peneiramos tudo, podemos terminar soterrados.

Por isso, não podemos permanecer na indecisão pois isso é mortal para o relacionamento! Para alguns, é muito difícil, porque correr riscos é assustador, e casar nos abre ao desconhecido: “como será o outro daqui a 10 anos?” Resta apenas confiar!

No caso do matrimônio, uma tomada de decisão serena não existe, pelo contrário, ela pode ser considerada uma fonte de questionamentos. A calma vem quando a escolha é feita. Decidir-se significa renúncia, e por isso nem sempre é agradável.

Amar implica uma escolha. E até que tomemos a decisão, ainda não amamos o outro. Você precisa perceber que o sentimento é importante, mas a vontade tem uma parcela mais importante no momento da decisão: “Eu amo e me decido!”. O amor inclui um elemento racional, mesmo que isso possa parecer contraditório.

Decidir é um salto no vazio, mas um salto consciente. Há uma grande diferença entre envolver-se voluntariamente, tomando uma atitude livre, e se deixar levar pelos acontecimentos.

É a vida que nos leva, ou somos nós que estamos no comando? Alguns gostariam que Deus decidisse e lhes desse sinais. Mas Deus não age por nós, a decisão é nossa e os elementos do discernimento estão dentro de nós.

Casar-se é entrar alegremente em uma briga, a do amor incondicional pelo outro: “Eu te amo porque é você. Descobrirei rapidamente todos os seus limites, mas prometo aceitá-lo como você é, pouco a pouco, e sei que você fará o mesmo por mim”.

Entrevista por Florence Brière-Loth


Aleteia

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