Sim, há mais do que um padroeiro para a missão sublime de educar e formar pessoas

Quem são os santos padroeiros dos professores?

Sendo o dia dos professores comemorado no Brasil em 15 de outubro, a sua principal padroeira é a própria santa do dia, que não é nada menos que Doutora da Igreja: a espanhola Santa Teresa de Jesus, também chamada de Santa Teresa de Ávila. Mas ela não é a única santa associada a especiais intercessões em favor dos professores: outros grandes nomes católicos da cultura, do conhecimento e da educação também são venerados como seus padroeiros, em especial o célebre educador São João Batista de La Salle, a jovem mártir Santa Úrsula e o maior teólogo de todos os tempos, São Tomás de Aquino, que é também padroeiro dos estudantes. No fim das contas, é claro que não há nenhum santo que não seja padroeiro de quem tem a imprescindível missão de ensinar, educar e formar crianças, jovens e adultos para desenvolverem harmoniosamente todas as dimensões de uma pessoa humana integral!

Santa Teresa de Jesus

Pedagoga de excelência no caminho da oração e da espiritualidade, é padroeira dos professores por conta da sua maestria em lidar com as pessoas para auxiliá-las no caminho rumo a Deus. Também conhecida como Santa Teresa de Ávila, esta grande líder nasceu em 1515 e morreu aos 67 anos, em 1582, na sua Espanha natal.

Entrou na ordem carmelita aos 20 anos e deixou um legado inestimável não só para o carmelo, mas para Igreja inteira em termos de mística cristã. Arrebanhava muita gente para experimentar o amor de Cristo e retransmiti-lo ao próximo. Seu testemunho renovador atraiu grande número de vocações à vida consagrada como carmelitas descalços, ordem na qual fundou mais de 30 conventos.

De fato, ela capitaneou uma reforma em sua ordem para restaurar uma vida religiosa mais simples, despojada e fiel ao carisma original, o que a obrigou a encarar desafiadores preconceitos numa época em que a mulher tinha bem menor acesso a papéis de protagonismo na sociedade.


São João Batista de La Salle

Nasceu em Reims, na França, em 1651, numa família rica. Perdeu os pais muito cedo e, com amor alimentado na oração e nos sacramentos, assumiu ele próprio a missão de educar os seus irmãos. Foi em família que o carisma da educação brotou em seu coração, chamado desde a eternidade à vida sacerdotal.

La Salle estudou em Paris e sempre se mostrou propenso a cuidar e educar os homens de maneira virtuosa. Alicerçado na Eucaristia, levou as suas escolas populares a se espalharem pela França, pela Europa e pelo mundo.

O fundador dos irmãos das escolas cristãs partiu desta vida em 7 de abril de 1719, em Rouen. É venerado como intercessor dos mestres e educadores para que eles sejam, na sociedade, um sinal de esperança.


Santa Úrsula

Filha dos reis da Cornúbia, na Inglaterra, nasceu em 362 e foi educada nos princípios cristãos e, por isso mesmo, pediu três anos para se preparar para o casamento quando seu pai escolheu para ela um pretendente pagão, o duque Conanus, a quem ela esperava converter – ou encontrar um meio de evitar o casamento se não pudesse aproximar o noivo de Deus. No entanto, a jovem nem conseguiu convertê-lo nem evitar o casamento, que aconteceu e foi seguido por uma viagem de núpcias a bordo de um barco pelo rio Reno, em que Úrsula e o marido foram acompanhados por onze jovens, virgens como ela e que se casariam com onze soldados do duque.

Chegaram a Colônia, na Alemanha, onde o exército de Átila, rei dos hunos, matou toda a comitiva exceto Úrsula, porque o próprio Átila se encantou por ela. Úrsula, porém, o rejeitou enfaticamente, afirmando já ser esposa do mais poderoso de todos os reis da Terra, Jesus Cristo, o que enfureceu o bárbaro a tal ponto que ele a degolou com as próprias mãos em 21 de outubro de 383. Em Colônia, uma igreja guarda o túmulo de Santa Úrsula e suas companheiras mártires.

Mais de mil anos depois, em 1535, a italiana Santa Ângela de Mérici fundou a Companhia de Santa Úrsula para dar formação cristã a meninas que, quando se tornassem esposas e mães, estivessem capacitadas para transmitir a fé e os valores cristãos aos próprios filhos. Nascia assim a congregação das ursulinas, cujo nome, segundo a fundadora, se inspirou numa visão de Santa Úrsula.


Santo Tomás de Aquino

Padroeiro dos estudantes, este farol de luz entre os homens é também venerado, por extensão, como padroeiro dos professores.

Filho de nobre família italiana, o maior teólogo de todos os tempos viveu entre 1225 e 1274. Mesmo contra as vontades da mãe, tornou-se frade e sacerdote da Ordem dos Pregadores, ou dominicanos, e ensinou ao longo da vida que a fé e a razão não são contraditórias, mas natural e indissociavelmente complementares. Aliás, de acordo com ele, para quem tem fé, nenhuma explicação é necessária e, para quem não tem, nenhuma explicação é suficiente.

Sua obra, emoldurada historicamente na tradição escolástica, teve enorme influência na teologia e na filosofia, a ponto de que muito da filosofia moderna foi concebida como desenvolvimento ou oposição às suas ideias, particularmente nas áreas da ética, da lei natural, da metafísica e da teoria política. O assim chamado “Doutor Angélico” foi o mais importante proponente clássico da teologia natural e, diferentemente de muitas correntes da Igreja na época, abraçou as ideias de Aristóteles, a quem se referia como “o Filósofo”, tentando sintetizar a filosofia aristotélica e os princípios do cristianismo.

Suas obras mais importantes são a Suma Teológica (Summa Theologiae) e a Suma contra os Gentios (Summa contra Gentiles). Seus comentários sobre as Escrituras e sobre Aristóteles também são parte importante do seu corpus literário. O santo ainda se distingue por hinos eucarísticos sublimes, que até hoje estão entre os mais belos da liturgia da Igreja.

O estudo da obra de Tomás de Aquino é há séculos o cerne do programa de estudos fundamental para quem se prepara para o sacerdócio católico, assim como para os que se dedicam seriamente ao aprofundamento em filosofia, teologia e direito canônico.


Bônus: Santa Teresa Benedita da Cruz

De origem judaica, seu nome civil era Edith Stein. Segunda mulher a defender uma tese de doutorado de filosofia na Alemanha, foi assistente do filósofo Edmund Husserl e deu aulas na escola Viktoria, em Breslau, bem como no Instituto de Pedagogia Científica em Münster, mas foi obrigada a abandonar o ofício por causa das leis antissemitas impostas pelo governo nazista em 1933.

Tendo nascida judia e depois se tornado agnóstica e ateia, converteu-se à fé cristã, foi batizada aos 30 anos de idade e, no mesmo 1933 em que o nazismo se tornou um pesadelo ainda mais vivo na Alemanha, entrou no carmelo de Colônia.

Foi martirizada na câmara de gás do campo de concentração de Auschwitz em 1942. Declarada Doutora da Igreja, seu legado como mestra tem valor sublime.


Aleteia 

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