O direito de nossos filhos à privacidade é algo real e deve ser respeitado

Você sabe o quanto de informações sobre seus filhos você deve compartilhar nas redes sociais?

Você se lembra, quando você era adolescente, que sua mãe tirava fotos  embaraçosas de você, as mostrava para seus amigos e eles caíam na risada? Ou como ela contava repetidamente uma história sobre algo que você fez ou disse quando criança e você ficava cheio de vergonha? Pode ter sido uma foto sua sentado no vaso sanitário ou tomando banho. Ou uma foto da fase em que você usava aparelho e tinha uma aparência terrível.

Não sei você, mas eu sou bastante discreto sobre as informações sobre mim que eu compartilho. Eu já escrevi sobre os perigos de compartilhar demais porque, obviamente, nem todo mundo precisa ou quer saber tudo sobre a minha vida. Isso vale especialmente para as mídias sociais, nas quais talvez eu nem conheça todas as pessoas que estão lendo minhas palavras. No entanto, é engraçado, porque muitos de nós, pais, que somos cautelosos ao compartilhar informações embaraçosas sobre nós mesmos, estamos mais do que felizes em compartilhar informações ou fotos que possam deixar nossos filhos em situação complicada.

Os pais podem falar inconscientemente sobre a dificuldade de aprendizado de seus filhos, compartilhar uma foto que deveria ser mantida em sigilo, contar uma história sem consentimento ou até reclamar das suas crianças. Talvez essas histórias sejam boas e engraçadas e não sejam um problema. Porém, algumas vezes elas podem cruzar uma linha que viola o direito à privacidade de nossos filhos.

Penso muito nisso com as histórias que escolho compartilhar em meus artigos. Descrevi, por exemplo, a época em que meu filho tentou se transformar em cavalo, como meus filhos tentaram acender uma fogueira em nosso jardim  e compartilhei um monte de histórias de nascimento super intensas. Talvez meus filhos talvez cresçam e fiquem chateados com isso. Mas, antes de compartilhar essas histórias, pensei nessa possibilidade e cheguei à conclusão que seria pouco provável que elas os deixassem magoados. São histórias  divertidas – e meio estranhas. Mas eu as compartilhei porque são exemplos do orgulho que sinto pelos meus filhos. Espero que eles entendam dessa forma quando, adultos, eles virem essas narrativas.

O fato é que todo mundo tem uma opinião e um nível de tolerância diferentes sobre a quantidade de informações a compartilhar publicamente sobre seus filhos. O importante é que, como pais, estamos pensando nisso e levando a sério o direito de privacidade de nossos filhos. Como sabemos tudo sobre eles e compartilhamos os detalhes mais íntimos de suas vidas, os pais podem ficar cegos para esse limite. Trocamos as fraldas, respondemos às perguntas embaraçosas, damos banho, seguramos quando choram e os apoiamos enquanto lutam com a transição para a vida adulta. Não devemos tomar essa intimidade como garantida – ela é privilegiada e especial.

Realmente, é uma honra poder compartilhar esses momentos dentro de uma família. Proteger a confiança de nossos entes queridos, daqueles com quem somos mais vulneráveis, é extremamente importante. Uma história ou conversa engraçada pode ser inteiramente apropriada em torno da mesa de jantar da família, mas violaria todo tipo de confidencialidade se fosse compartilhada com todo o mundo.

Como nossos filhos dependem de nós, podemos não reconhecer que essas pessoas tão pequenas têm autonomia. Eles têm personalidades e preocupações próprias, mesmo muito jovens. Como qualquer adulto, eles merecem ser respeitados como indivíduos e não ter seus segredos compartilhados com estranhos. Eles podem não ser capazes de expressá-lo dessa maneira, mas esse é mais um motivo para termos cautela em nome deles.


 Aleteia

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