Poucas horas depois de regressar a Roma, o Pontífice recordou alguns momentos de sua visita a Moçambique, Madagascar e Maurício

Na Audiência Geral, Papa recorda viagem apostólica à África

O Papa Francisco se reuniu, nesta quarta-feira, 11, com milhares de fiéis e peregrinos na Praça São Pedro para a Audiência Geral.  A sua catequese foi dedicada aos três países os quais visitou em sua 31ª viagem apostólica internacional: Moçambique, Madagascar e Maurício.

O Pontífice agradeceu a Deus por ter permitido cumprir esse itinerário como peregrino de paz e de esperança, e agradeceu as respectivas autoridades dos países, assim como aos episcopados, que o “acolheram com tanto afeto e cuidado”.

O Evangelho, disse o Papa, é o fermento mais poderoso de fraternidade, de liberdade, de justiça e de paz para todos os povos e “busquei levar este fermento” àquelas populações.

Moçambique – reconciliação

Em Moçambique o objetivo era o de espalhar sementes de esperança, paz e reconciliação numa terra que tanto sofreu no passado recente por causa de um longo conflito armado e, recentemente, foi atingido por dois ciclones que causaram muitos danos graves.

Por sua vez, a Igreja continua a acompanhar o processo de paz, que fez um passo avante também em 1° de agosto passado com um novo Acordo entre as partes.“Neste sentido, encorajei as autoridades do país, exortando-as para trabalharem juntas pelo bem comum. E encorajei os jovens, para que construam o país, superando a resignação e a ansiedade”.

Francisco citou ainda o encontro com os bispos, os sacerdotes e as pessoas consagradas, e a visita ao hospital de Zimpeto, na periferia da capital, realizado com o empenho da Comunidade de Santo Egídio. De modo especial, louvou o trabalho em prol dos doentes, independente da crença, recordando que a diretora é muçulmana.

A visita a Moçambique culminou com a Missa, celebrada embaixo de chuva e, ali, ressoou o apelo do Senhor para amar os inimigos, “a semente da verdadeira revolução, a do amor, que apaga a violência e gera fraternidade”.

Madagascar – superação da pobreza

De Maputo, o Papa se transferiu a Antananarivo, capital de Madagascar. Um país rico de belezas e recursos naturais, mas marcado por tanta pobreza. “Fiz votos para que, animado por seu tradicional espírito de solidariedade, o povo malgaxe possa superar as adversidades e construir um futuro de desenvolvimento, conjugando o respeito pelo meio ambiente e a justiça social”.

Francisco mencionou ainda a visita à “Cidade da amizade” – Akamasoa, fundada pelo missionário padre Pedro Opeka, e na pedreira elevou para Deus a oração pelos trabalhadores.

Na capital malgaxe, o Papa encontrou-se também com as monjas contemplativas, com os bispos e com os jovens. Outro momento significativo foi a oração à Beata Victoire Rasoamanarivo, a primeira nativa a ser elevada aos altares.

Em Antananarivo, Francisco celebrou a Eucaristia dominical no “Campo diocesano”, ocasião em que “multidões se reuniram em volta do Senhor Jesus”. A visita a Madagascar se concluiu com os sacerdotes, as consagradas e os consagrados e os seminaristas.

Maurício – diálogo inter-religioso

Já, a segunda-feira, 9, foi dedicada à República de Maurício, famosa meta turística, mas que foi escolhido pelo Papa, como “local de integração entre diversas etnias e culturas”. E contou que, ao chegar na casa episcopal, encontrou um buquê de flores que lhe foi enviado pelo Imã “como sinal de fraternidade”

A Missa foi celebrada no Monumento de Maria Rainha da Paz, em memória do Beato Jacques- Désiré Laval, conhecido como o “apóstolo da unidade mauriciana”. Francisco afirmou que “o Evangelho das bem-aventuranças, carteira de identidade dos discípulos de Cristo, nesse contexto é antídoto contra a tentação de um bem-estar egoísta e discriminatório, e é fermento de verdadeira felicidade”.

Depois, no encontro com as autoridades de Maurício, o Papa manifestou seu apreço pelo empenho em harmonizar as diferenças num projeto comum e encorajou a levar avante também hoje a capacidade de acolhimento, assim como o esforço para manter e desenvolver a vida democrática.

Sempre com Maria

Antes de fazer sua exortação final, Francisco explicou que chegou ontem à noite e logo foi à Basílica de Santa Maria Maior rezar. “Antes de iniciar uma viagem e ao regressar, vou sempre até Nossa Senhora, da Salus Populi Romani, para que seja Ela a me acompanhar na viagem, como Mãe, a dizer-me o que devo fazer, a custodiar as minhas palavras e os meus gestos. Com Nossa Senhora, viajo seguro”.

O Papa concluiu o discurso pedindo orações para que as sementes lançadas, na viagem apostólica, levem frutos abundantes para os povos de Moçambique, Madagascar e Maurício.

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