Saiba o que pode estar por trás deste comportamento das crianças

Birras: seu filho está sendo mau ou se sente inseguro?


Recentemente, fiz uma descoberta infeliz: sempre que eu levanto minha voz com meu filho de 4 anos, seu comportamento piora. Eu digo “infeliz”, porque levantar a minha voz é bem simples, mas encontrar a paciência e a gentileza necessárias para lidar com ele quando ele está me deixando louca… bem, é preciso um pouco mais de esforço.

Mas não é o tom da minha voz que é contraproducente. Eu percebi que quando ameaço mandá-lo para o quarto ou deixá-lo sem sobremesa, seus ataques de raiva também aumentam. Também notei que ele gosta de reforços positivos (leiam-se: subornos). Mas, para meu espanto, oferecer-lhe recompensas por bom comportamento parece exatamente a mesma coisa: fazer com que uma criança que já está derretendo perca ainda mais o controle. E aí, como proceder?

Eu já estava preparada para dizer que “crianças são insanas”. Mas li algo que juntou todas as peças para mim. É do novo livro “Beyond Behaviors” (“Além dos comportamentos”) , da psicóloga infantil Mona Delahooke. Ela apresenta a distinção entre dois tipos de comportamento: o comportamento “top down” (de cima para baixo) e o comportamento “bottom up” (de baixo para cima). O comportamento de cima para baixo é deliberadamente escolhido – a criança decide o que fazer e depois o faz. Comportamento de baixo para cima não é uma escolha consciente – é o que acontece no cérebro e no corpo de uma criança quando ela se sente ameaçada.

Nós não tendemos a pensar que os nossos filhos fazem birra de propósito? Para chamar a atenção, manipular, alcançar algum objetivo? Às vezes isso é verdade (mais frequentemente com crianças mais velhas do que com jovens), mas é importante considerarmos que o que parece ser desobediência é realmente o comportamento “de baixo para cima”, sob o qual a criança tem menos controle do que parece.

Delahooke diz que tudo depende do conceito crucial de “neurocepção”, que é o “monitoramento subconsciente constante do cérebro e do corpo em relação à ameaça e segurança”. Quando a criança se sente insegura, ela tentará instintivamente se defender da ameaça “lutando, fugindo ou fechando. Por outro lado, quando um indivíduo experimenta a neurocepção da segurança,  ele relaxa e pode se aproximar dos outros, se comunicar e se envolver.”

Pode ser que a birra da criança decorra do fato de ela querer desesperadamente se acalmar e fazer o que você pediu, mas literalmente não sabe como. Sua neurocepção está dizendo que ela não está segura e seus instintos básicos de sobrevivência, tentando protegê-la, assumem o controle.

No caso do meu filho, a promessa de recompensas ou a ameaça de banimento para o seu quarto só o fizeram entrar em pânico ainda mais. Ele queria se controlar, mas não sabia o que fazer.

Então, como você pode ajudar uma criança que é dominada por um comportamento “de baixo para cima”? Você tem que fazer com que ela se sinta segura. Mesmo que ela esteja segura o tempo todo, você tem que ajudá-la a perceber isso. O que a criança precisa não é motivação, é educação. É nosso trabalho ensinar nossos filhos, com palavras e ações, que eles estão seguros.

Assim, você modela a calma que você quer que eles encontrem. Certifique-se de que você esteja respirando normalmente, falando em volume normal e que sua postura esteja relaxada. O que você está fazendo é chamado de “co-regulação emocional”, o alicerce que permite que a criança aprenda a se auto-regular.

Nós sempre queremos raciocinar com a criança, não é? Nós dizemos “Acalme-se! Não há nada para se preocupar!”. E quando isso não funciona, ficamos frustrados. Delahooke diz que sim, podemos raciocinar com uma criança, mas isso deveria ser o terceiro passo. Ela estabelece três “Rs” para nos guiar: primeiro regule, depois relacione (para que ele saiba que você está nisso juntos) e só então use a razão. Uma criança que não está se sentindo calma e cuidada não é capaz de ser lógica.

Nós, pais, precisamos falar a língua dos nossos filhos. Precisamos educar suas mentes e seus corpos. E, não devemos puni-los por comportamento fora do controle deles ou pedir que façam o que não podem fazer. Compreendendo o que está acontecendo no cérebro de nossos filhos, podemos abordar melhor o que está por trás do comportamento e obter melhores resultados.


Aleteia 

Outras Notícias

“O Padre Marcelo Rossi estava no colo de Nossa Senhora”

O Padre Adriano Zandoná testemunhou o empurrão que o Padre Marcelo Rossi levou do altar enquanto presidia uma Missa e...

Pe. Reginaldo Manzotti: “estamos desidratados de Deus – e desidratação mata”

A esperança, a confiança e a alegria são virtudes que devemoscultivar, mesmo nos momentos de aflição.Temos que compre...

Mulher empurra Padre Marcelo Rossi de palco durante missa

Uma mulher invadiu uma missa realizada pelo padre Marcelo Rossi neste domingo, 14, e o empurrou do palco. A celebraçã...

Existe um padroeiro para quem joga videogame?

Para alguns jovens, os santos parecem antiquados e não têm qualquer conexão com seus interesses modernos. Embora haja...

Idoso sobreviveu a 7 infartos constrói capela móvel para agradecer milagres ao Divino Pai Eterno

O idoso, que é conhecido como Duca, participa de todas as festas do Divino Pai Eterno desde os 14 anos, por influênci...

Santuário de Aparecida tem novas atrações para os romeiros

O romeiro que visitar o Santuário Nacional de Aparecida vai poder contar com duas novas atrações. Foram inaugurados r...