15/05 - Compra de ações não é bicho de sete cabeças, mas investimento requer cautela

 

Imagine ser um dos sócios da Ambev. Ou da Azul. Ao investir na Bolsa de Valores, que agora se chama B3, isso é perfeitamente possível. Ao comprar ações, o investidor adquire fatias das empresas e se torna dono de uma pequena parte delas. Dessa forma, toda vez que a companhia se destaca no mercado financeiro, quem comprou os papéis dela tem retorno positivo. Mas o contrário também acontece: quando a empresa vai mal, a rentabilidade das ações cai e quem aplicou naquela organização perde com ela. Mas como começar? É o que o Hoje em Dia vai mostrar na primeira reportagem da série “Meu Bolso”.

O primeiro passo é procurar uma corretora de valores, que é uma empresa autorizada a negociar papéis na Bolsa. Embora não haja valor mínimo para que o investidor inicie na B3, ele deve ficar atento às taxas cobradas pelas corretoras para que o negócio seja rentável.

O mais comum é que seja cobrada uma taxa de corretagem mais uma porcentagem sobre o valor do investimento, pagos sempre que uma operação for realizada, além de uma taxa de custódia, que deve ser paga mensalmente à empresa. Para que o investimento valha a pena, o rendimento das ações deve ser maior do que as taxas. Por isso, é necessário gastar tempo para pesquisá-las.

Simulação

Vamos supor que o investidor compre R$ 100 em ações no mês e pague R$ 8 de corretagem, R$ 0,50 de porcentagem de corretagem e R$ 10 de custódia, somando R$ 18,50. O retorno dessas ações não pode ser menor do que R$ 18,50. Ele deve ser, aliás, de pelo menos R$ 18,50 mais o retorno da poupança, que é o menor rendimento do mercado, para ser considerado um bom negócio.

Vale destacar que o dinheiro utilizado nessas operações fica em uma conta criada pela corretora em nome do cliente. Não é possível sacar dinheiro dela, apenas transferir valores para que as operações sejam concretizadas.
 

“A Bolsa não é um cassino, em que a sorte é a principal aliada. Amadores não ficarão ricos da noite para o dia. É um mercado racional, que precisa ser estudado antes de
mergulhar nele”
João Lanza
Diretor da Mundivest Corretora


Quanto investir

De acordo com o analista da Ativa Corretora Phillip Soares, como em muitas empresas a taxa de corretagem é realizada por operação, para quem vai investir pouco dinheiro (menos de R$ 1000) o mais interessante é aplicar os recursos em um fundo de ações, em que um gestor toma as decisões. “Assim, é possível diversificar a carteira”, diz.

Soares ressalta que investir valores baixos é uma boa opção para quem está começando no mercado. “Eu mesmo comecei com menos de R$ 1.000 para me familiarizar com a Bolsa”, pondera.

Segundo o analista, o ideal é comprar ações de setores diversos, sem concentrar o aporte em um único segmento ou empresa. “As corretoras têm pessoal especializado para orientar os clientes, mas sempre que eles dão uma ordem de compra nós cumprimos”, afirma.

O cliente pode ordenar a compra de algum determinado papel por telefone ou ele mesmo pode fazer a aquisição pela internet. Para isso, as corretoras possuem um sistema de home broker. Por meio dele, é possível o acesso ao sistema e a operação pode ser efetuada sem o corretor. Neste caso, a taxa de corretagem costuma ser mais barata.

O problema do sistema de home broker, conforme o diretor da Mundivest Corretora, João Lanza, é o alto risco. “É um sistema simples de operar. Mas se a pessoa não tem familiaridade com o mercado de ações, ela pode errar muito e quebrar”, alerta.

Ponto a ponto

Converse com o corretor
As corretoras têm especialistas que acompanham e analisam as empresas e o mercado com afinco. Eles recomendarão quais ações comprar ou vender, em qual quantidade e em que momento. Não se esqueça, porém, que você é o responsável pelo desempenho de seus investimentos e tem total poder para seguir ou não as orientações.

Fique por dentro
Centenas de empresas de diversos setores estão listadas na Bolsa. Acesse a lista completa aqui

Diversifique suas ações
Uma vantagem do mercado de ações é que você pode virar sócio de empresas diferentes e de vários setores. Diversificar é diluir o risco.

Além disso

Para quem procura retorno no curto prazo, o ideal é ver como as ações se comportaram nos últimos dias, ressalta o analista de investimentos da Ativa Phillip Soares.

Já para quem vê no mercado de ações uma poupança para o futuro, alguns detalhes são fundamentais. Nesse caso, é preciso saber em quais países a empresa atua, se o negócio dela pode passar por algum baque no curto, médio ou longo prazo, se o produto ou serviço que ela presta é confiável e se o mercado em que ela atua é perene.

“Temos que desmistificar a ideia de que o investidor vai ficar rico da noite para o dia. Por outro lado, a longo prazo, a Bolsa é o único investimento que deixa uma pessoa rica”, diz o diretor da Mundivest Corretora João Lanza.

bolsa de valores - arte
(Hoje em dia)

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