O Palhaço

Diz uma história que numa cidade apareceu um circo, e que entre seus artistas havia um palhaço com o poder de divertir, sem medida, todas as pessoas da platéia e o riso era tão bom, tão profundo e natural que se tornou terapêutico.

Todos os que padeciam de tristezas agudas ou crônicas eram indicados pelo médico da cidade para que assistissem ao talento daquele palhaço que possuía o dom de eliminar angústias e alegrar os corações.

De repente, se via um grupo de crianças pulando, cantando, gritando, se divertindo. Crianças alegres. Crianças que não paravam de rir.

Um dia porém um morador desconhecido, tomado de profunda depressão, procurou o doutor. O médico então, sem relutar, disse:

– Meu caro, o seu diagnóstico é muito simples: Olha, tem um circo na cidade que o pessoal está adorando. Eu lhe incido como o lugar de cura de todos os males de sua natureza, de abrandamento de todas as dores da alma, de iluminação de todos os cantos escuros do nosso jeito perdido de ser.

O homem nada disse, levantou-se, caminhou em direção à porta e quando já estava saindo, virou-se, olhou o médico nos olhos e sentenciou:

“Eu não posso procurar o circo. Aí está o meu problema: Eu sou o palhaço”.

Ele fechou a porta. E saiu…

O sorriso daquele simples homem, sorria para viver, sorria por fora. E sonhava um dia, poder sorrir por dentro.

“O que me falta para ser feliz”?

Quando você escuta a palavra alegria, qual a primeira imagem que vem ao seu coração? Um circo, alguém rindo… A nossa compreensão do que chamamos alegria é bem rasa, é algo mais externo.